Edmundo, conheça a vitoriosa carreira do animal

O berço de Edmundo Alves de Souza Neto é a cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. O craque iniciou sua carreira no Vasco da Gama – seu clube de coração – e no Brasil vestiu camisas pesadas como Flamengo, Fluminense, Santos, Corínthians, Cruzeiro, Figueirense e Nova Iguaçu, já na fase final da carreira.

Mas foi no Palmeiras que ficou eternizado como o animal pelo radialista Osmar Santos devido à sua técnica, raça e principalmente o seu temperamento forte dentro dos gramados.

Edmundo defendeu também as cores dos italianos Fiorentina, Napoli e Parma e dos japoneses Tokyo Verdy e Urawa Red Diamonds. Pela Seleção Brasileira disputou a Copa do Mundo de 1.998. Atacante de apurada técnica e grande faro de gol, certamente está na memória das torcidas dos clubes em que atuou, sempre com grande dignidade e dedicação.

Edmundo, o animal Edmundo, o animal.

O nascimento de um ídolo

Lançado pelo técnico Nelsinho Rosa no Vasco da Gama de 1.992, tinha como parceiro de ataque simplesmente o ótimo Bebeto. Já na estréia foi decisivo na vitória sobre o Corínthians por 4 gols a 1 em pleno estádio do Pacaembu em São Paulo. Devido às excelentes atuações neste mesmo ano já estreava também pela Seleção Brasileira, em partida amistosa contra os mexicanos.

Já cobiçado por outros clubes, acabou sendo contratado pelo Palmeiras em 1.993, em transação considerada milionária para a época (cerca de 2 milhões de dólares), caindo rapidamente nas graças da torcida esmeraldina. No Verdão foi um dos protagonistas da campanha vitoriosa do Campeonato Paulista, que livrou o clube de um jejum de títulos que já durava 18 anos, em partida épica contra o Corínthians na decisão: vitória de 4 a 0! No Palestra ainda conquistaria os Campeonatos Brasileiros de 93 e 94, o Paulista de 94 e o Torneio Rio-São Paulo de 93.

Dois momentos destacam o temperamento explosivo de Edmundo no Palmeiras: um soco no lateral André do São Paulo em 1.994 que culminou em confusão generalizada e uma agressão a um repórter no Equador após derrota para o El Nacional pela Copa Libertadores. Neste último o “animal” chegou a ficar detido por 6 dias no hotel até a permissão para deixar o país pelas autoridades. Sua saída do clube também não foi pacífica pois, por desentendimentos com o técnico e jogadores como Antonio Carlos, Evair e Rincón o levaram a não aceitar a renovação do contrato, sendo até hostilizado pela torcida na época.

Edmundo nos clubes de maiores torcidas no país

Edmundo desembarcou no Flamengo em 1995 após desfilar em carro de corpo de bombeiros para formar o “ataque dos sonhos” com Sávio e Romário. Que por sinal acabou sendo um fiasco. Após empate em 1X1 com o arquirrival Vasco, olha só o coro da torcida vascaína: “pior ataque do mundo…pior ataque do mundo…pára um pouquinho, descansa um pouquinho…Sávio, Romário, Edmundo...”. Em lance inusitado o atacante chegou a balançar as genitálias para a torcida reagindo à provocação. Este era o “animal” sempre provocando fortes emoções.

Edmundo e Romário

Infelizmente seu momento mais lembrado com a camisa rubro-negra acabou sendo uma confusão em jogo contra o Vélez Sarsfield da Argentina pela Supercopa Libertadores, vencido por 3X0: após confusão, o animal acabou sendo nocauteado pelo zagueiro Zandoná em outra batalha campal entre brasileiros e argentinos.

Com problemas de relacionamento, Edmundo acabou sendo emprestado ao Corínthians no final de 1.995, para jogar a Copa Libertadores de 1.996. Grande aposta do clube para um título inédito, o atleta fez boa campanha, marcando 32 gols no semestre. Mas fazendo jus ao temperamento, retorna ao Vasco da Gama sem dar satisfações à diretoria e após desentendimento com o zagueiro Cris.

No Vasco, a volta por cima

De volta para casa, o craque salva o clube da ameaça de rebaixamento no Brasileiro de 1.996. Mas sem dúvida seu maior momento foi na conquista do Brasileirão de 1.997. Reeditando dupla de ataque com Evair, lidera uma talentosa equipe com jovens como Pedrinho, Felipe, Juninho Pernambucano, Ramon e Odvan e os veteranos Carlos Germano, Mauro Galvão e Luisinho. Marca 29 gols (em 28 jogos) no campeonato e supera o recorde de Reinaldo, que já durava 20 anos. Após a conquista Edmundo declarou: “Este é o título mais importante da minha vida”.

Fiorentina e novo retorno ao Vasco da Gama

Após a conquista Edmundo transferiu-se para a Fiorentina da Itália e formou uma dupla infernal com Batistuta. Juntamente com Rui Costa e o argentino foram os responsáveis pelo 3º lugar da Série A do Campeonato Italiano da temporada 98/99. Mas seu temperamento novamente foi destaque em terras italianas: conseguiu desentender-se com o técnico Giovanni Trapattoni e vários companheiros de equipe, chegando às vias de fato com o meia Emiliano Bigica. E foi assim, com os seguidos problemas de relacionamento o “animal” começa a negociar seu retorno ao Vasco, concretizado ainda em 1.999.

Edmundo retorna para o segundo turno do Estadual do Rio em 99 mas não consegue impedir o título do Flamengo. No Brasileirão faz boa companha mas a equipe acaba eliminada no mata-mata pelo surpreendente Vitória da Bahia. E os “bad boys” se reencontram: Romário retorna ao Vasco, já pensando na disputa do 1º Mundial de Clubes da FIFA, em 2.000.

Com a dupla o Vasco chega à final contra o Corínthians no Estádio do Maracanã. Contudo a decisão vai para a disputa de pênaltis e Edmundo é um dos que perdem a cobrança. O atleta afirmou anos mais tarde ser este o pior momento de sua carreira.

A rixa com Romário volta a tona e após polêmicas intermináveis, o destino do atleta acaba sendo o Santos, em um novo período de empréstimos em sua carreira.

Época de Empréstimos: Edmundo no Santos e no Napoli

Na Vila Belmiro Edmundo reencontra Carlos Germano e o ex-desafeto Rincón. Sua passagem pelo clube é rápida mas produtiva, com 13 gols em 20 jogos. Infelizmente, com o término da parceria do clube com o consórcio CIE/Octagon, o presidente Marcelo Teixeira passou a tirar dinheiro do próprio bolso para arcar com os altos salários das estrelas do time e Edmundo foi devolvido ao Vasco, que o emprestou ao Napoli.

No Napoli foi mal: fazendo dupla com o ítalo-brasileiro Amauri, não correspondeu às expectativas e o clube acabou rebaixado para a Segunda Divisão Italiana. Edmundo foi eleito o pior jogador da temporada. Cansado dos empréstimos, o atleta entrou na Justiça Desportiva em 2.001, buscando o passe livre.

Cruzeiro, Futebol Japonês e novamente o Vasco

Com o passe em mãos, seu destino foi o Cruzeiro, mas uma passagem curta: 15 jogos e 6 gols. A passagem pelo clube mineiro foi tão ruim que o site Terra considerou uma das “100 piores contratações do futebol brasileiro”. Seu novo destino, o futebol japonês.

Nova camisa – Tokyo Verdy – e novas confusões. Após retorno ao Brasil para cirurgia no pé, desfilou normalmente no carnaval, mesmo de muletas, enlouquecendo os japoneses. No final de 2.002 transferiu-se para o Urawa Red Diamonds onde permaneceu por 3 meses e rescindiu o contrato alegando saudades da família. Em maio de 2.003 assinou novamente com o seu velho Vasco da Gama.

No clube da Cruz de Malta permaneceu até o fim de 2.003 e saiu disparando contra o presidente Eurico Miranda: “Fiquei 9 meses no clube, 7 sem receber. Cumpri todos os meus horários, joguei todos os jogos que tive condições. O Vasco ficou 7 meses sem me pagar e publicamente eu fui o errado. Isso vai se repetindo e enche o saco”.

Edmundo: parte final da carreira

Já na fase final o atleta passou pelo Fluminense (27 jogos, 17 gols), Nova Iguaçu (2 jogos, 1 gol) e Figueirense (31 jogos, 17 gols) entre 2.004 e 2005. E foi no Figueirense que ele conseguiu reeditar seu bom futebol apesar da idade, sendo o artilheiro do time e peça fundamental para que o Figueira permanecesse na Primeira Divisão do Brasileiro. E as boas atuações o trouxeram novamente para o Palmeiras, onde tudo começou.

Em 2.006 já com 36 anos o atleta volta a ouvir os gritos da torcida palmeirense: “au, au, au, Edmundo é animal”. Após 11 anos retornou com contrato a base de rendimento, recuperou seu status de ídolo e provocou um crescimento da média de público do alviverde. Em sua apresentação oficial declarou que iria jogar ainda mais com amor à camisa, porque percebera a grande besteira que fizera ao deixar o Palmeiras, na primeira passagem.

No Brasileiro de 2.006 Edmundo marcou 10 gols pelo Palmeiras, tornando-se o terceiro maior artilheiro da história do campeonato com 136 gols, atrás apenas de Roberto Dinamite (190) e Romário (155). Seu desempenho conquistou até o sisudo técnico Emerson Leão.

No Paulista de 2.007 o “animal” marcou 12 gols em 10 jogos e foi o vice artilheiro da competição. No Brasileirão chegou a reeditar um pouco do antigo animal ao esnobar um aperto de mão do técnico Caio Júnior após substituição em clássico contra o São Paulo. Curiosamente os dois se aproximaram após o incidente, quando ele se desculpou-se com o treinador.

Aposentadoria e despedida no Vasco da Gama

Em 21 de janeiro de 2.008 o atleta retorna ao seu primeiro clube. Nesta derradeira passagem foram 45 jogos e 28 gols e um final triste: seu último jogo oficial foi o mais triste da história do clube, que caiu para a Série B pela primeira vez.

Por todos os serviços prestados o Vasco ofereceu-lhe um jogo de despedida, que aconteceu em 28/02/2.012 contra o Barcelona Sporting Club, uma reedição da final da Copa Libertadores de 1.998, maior conquista do clube. O jogo foi uma festa, com mais de 21 mil torcedores saudando-o e dando um “até breve” ao ídolo.

Pela Seleção Brasileira foram 39 jogos e 10 gols entre os anos de 1.992 e 2.000. Seu melhor momento foi na Copa América de 1.997 onde fez um dos gols do título contra a anfitriã Bolívia.

Nunca um apelido serviu tão bem a um atleta. Edmundo sempre agiu por instinto nos clubes em que passou, pagando caro por isso às vezes. Mas nunca uma torcida viu dentro de campo um jogador sem raça, chinelinho, sempre um atleta literalmente “comendo grama” em busca da vitória. E isso faz a diferença. Por essas e outras o “animal” ainda é lembrado nas resenhas dos torcedores dos clubes por onde passou.

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